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Publicado em 29/01/2012, às 12h05
Estudantes aproveitam a força da web para promover protestos contra o aumento de passagens no Recife

Twitter e Facebook foram decisivos para atos estudantis, cada vez mais independentes de líderes tradicionais.

Eles estão mais independentes. Os estudantes que ganharam as ruas nos últimos protestos contra o aumento da passagem de ônibus e a favor de um melhor serviço de transporte público continuam jovens e, como tal, permanecem contestadores, voluntariosos e necessitados de auto-afirmação como atores sociais. Mas o perfil mudou. Muitos ainda têm a ligação com partidos políticos e atuam como militantes nos movimentos sociais. Mas não dependem mais deles para ser e estar. Quem os estimula agora são as redes sociais. É através do Twitter e, principalmente do Facebook, que se informam, mobilizam, agregam e protestam. Refletem um fenômeno nacional e mundial.

E é essa independência que, segundo estudiosos, deu o tom pacífico das manifestações - mesmo quando houve conflito nos dois primeiros protestos, a ação de reprimir partiu da Polícia Militar. "Com as redes sociais, eles podem agir sem a intermediação dos representantes políticos. Não dependem mais deles. As redes sociais propiciam um caráter heterogêneo ao movimento e isso é bom. Também refletem a falência da representatividade política no País", analisa o cientista político Túlio Velho Barreto, que por coincidência teve a filha, sem qualquer filiação partidária, atingida por uma bala de borracha numa das manifestações.

Andando entre os jovens e conversando com eles, se comprova a heteregeneidade do movimento. A política continua presente, principalmente pela juventudade militante de partidos como PSOL, PSTU, PCdoB e, em menor quantidade, PSB e PT. Mas não é majoritária. Há anarquistas, idealistas, aqueles que andam de automóvel e até os completamente alienados politicamente. São apenas cidadãos.

O estudante Bruno Grimaldi, 20 aonos, é um exemplo dessa mistura. Mora em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, e confessa que não pode ver um proteste que adere. Soube das manifestações pelo Facebook e, depois de tentar convencer alguns amigos, foi só. As mães dos colegas não deixaram os filhos participarem. No primeiro protesto levou um tiro de bala de borracha de raspão. No segundo terminou detido pela Rocam ao protestar contra a gravata dada na fisioterapeuta Juliana Sant'Anna.

Onde a política ainda encontra terreno farto é nas inúmeras lideranças estudantis. Lá os partidos dominam os jovens a ponto de provocar disputas internas. Militantes também são vistos. Raphaela Carvalho, 26, formada em história pela UFRPE, é militante de carteirinha desde 2005. Em 2007 se filiou ao PSTU. Foi a três protestos não só pela consciência política, mas porque já pegou 12 ônibus por dia para conseguir estagiar e estudar.

Pessoas como Raphaela, entretanto, não são mais a maioria. Dos quatro estudantes ouvidos pelo JC, três não tinham filiação partidária. Juliana Santa'Anna, que virou símbolo dos protestos depois de ser agarrada pelo pescoço por um PM, revelou nas redes sociais que entrou por acaso no protesto. Viu a manifestação passando e, como "cidadã do mundo e usuária do transporte coletivo", decidiu ir. Nenhum partido a convocou.

Fonte: Versão impressa do Jornal do Commercio - 29/01/2012

 

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