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Publicado em 25/01/2012, às 10h55
Porto Digital do Recife quer atracar novas companhias

O que fazer com uma área degradada de 100 hectares no centro histórico do Recife, capital que concentra 65% do produto interno bruto (PIB) do estado de Pernambuco?

Muitas cidades pensariam em tornar a região um foco de entretenimento, com bares e restaurantes. Recife considerou esta hipótese, que também não funcionou. A saída foi encontrar outra vocação.

A solução foi concretizada há 12 anos, quando o governo, entidades privadas e o meio acadêmico se uniram para estabelecer na região um parque tecnológico urbano.

Como a região já reunia ensino de ponta na área de tecnologia, com a Universidade Federal de Pernambuco, que colocou no mercado os primeiros formandos na década de 1980, criou-se um ambiente propício para o desenvolvimento de tecnologia.

"Nesta época éramos exportadores de mão-de-obra, e com a iniciativa passamos a reter os profissionais" , diz Francisco Saboya, diretor-presidente do Porto Digital.

Foi neste contexto de produzir conhecimento localmente e exportar serviços que surgiu o Porto Digital, em julho de 2000, que, com benefícios fiscais, como a cobrança de 2% de ISS no lugar de 5%, atraiu 200 companhias de tecnologia e órgãos de fomento.

Em 10 anos, o Porto Digital já possui 6 mil postos de trabalho, atraindo 10 empresas de outras regiões do país e quatro multinacionais, como Microsoft, IBM, Ogilvy e Accenture, que atuam com pesquisa e desenvolvimento na região.

Os principais projetos desenvolvidos pelas companhias no polo, tanto iniciantes quanto multinacionais, são consultoria de tecnologia, desenvolvimento de softwares para dispositivos móveis e jogos eletrônicos.Saboya afirma que 34% dos games desenvolvidos no Brasil são produzidos no polo.

"Estamos retendo nossos talentos, pois quando empresas de outras partes do país nos pedem projetos e querem que enviemos equipes para desenvolvimento no local, a nossa contra-proposta é fazer o desenvolvimento aqui com a nossa estrutura", diz Saboya, pois ele lembra que existe o risco do profissional se interessar por outros locais de maior demanda profissional.

Saboya lembra que cerca de 15% dos brasileiros que trabalham para a Microsoft em Redmond são de Pernambuco.

Uma das respostas do Porto Digital a esta evasão de mão de obra foi a criação do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), em 1996, um centro privado de inovação que cria produtos, serviços e empresas com tecnologia em segmentos como telecomunicações, eletroeletrônicos, financeiro, mídia, energia e agronegócios. Motorola, Samsung, Vivo, Oi, Positivo, Dell, Visanet, são algumas das empresas que trabalham ou já trabalharam em parceria com o Cesar.

Com R$ 1 bilhão de faturamento em 2010, as empresas crescem em média 31% ao ano. As iniciantes têm facilidades para aprovar seus projetos por estar próximas aos órgãos de fomento, participam de eventos promovidos pelo polo e seus funcionários têm acesso a treinamento mediante valor simbólico.

"Temos diferenciação também no salário da região, que é 2,5 acima da média da cidade", diz Saboya. "Cerca de 85% dos profissionais são de nível superior e estamos com mais de 700 vagas em aberto, diz Saboya.

O diferencial do Porto Digital é a capacidade de entregar soluções de valor para companhias do porte da Vale e Embraer. " Já temos 36 empresas certificadas pelo Capability Maturity Model Integration (CMMI) de reconhecimento internacional", diz.


Fonte: Brasil Econômico

 

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